O dia que tive tudo que sempre quis

Olá meu nome é Henrique tenho 17 anos e moro em Euclides da Cunha, uma cidade do interior da Bahia, mas isso não importa agora. Olha sei que esse início está bem chato, provavelmente monótono, e com certeza você pensa que sou apenas um garoto normal. Bem tenho que te dizer uma coisa: não existe essa coisa de normal, todos temos um lado louco.

Acho que vou recomeçar. Oi, de novo, meu nome é Henrique tenho 17 anos, e um dia realizei todos os meus sonhos. Mas antes de começarmos preciso que pense em seus sonhos, por mais loucos ou improváveis que sejam. Pensaram? Pois bem, então vamos nessa.

Tudo começou em uma manhã de quarta-feira. Acordei tomei café da manhã, escovei os dentes e fui pra escola, até aí tudo normal. Bom, só até eu começar o meu triste e solitário trajeto até a escola. Estava lá eu, caminhando pelas ruas da minha cidade quando eu vi um homem fazendo um show de rua. Eu sei, qual o absurdo disso? É que não era um show normal, já que tal homem estava dançando com uma porta.

Isso mesmo uma porta, nunca na minha vida tinha visto algo tão estranho. Porém, o que me parecia o cúmulo do absurdo foi as pessoas pagando e aplaudindo o show. Após alguns minutos decidi continuar meu trajeto, torcendo para nada estranho acontecer, para minha sorte cheguei na escola sem encontrar nada fora do normal.

Quando eu estava esperando o portão abrir, percebi que o porteiro estava conversando vivamente com outro homem, logo pensei que era algum amigo dele, mas quando eu vi o rosto do tal homem adivinhe. Meus parabéns se você falou que era o cara da porta, primeiramente fiquei surpreso, depois comecei a pensar e só consegui elaborar três possibilidades: a primeira era que ele era muito rápido, a segunda ele tinha um irmão gêmeo e a terceira e mais assustadora, era que esse homem estava me seguindo.

Foquei na última possibilidade e tentei descobrir o motivo da perseguição, porém fui interrompido quando o sinal da primeira aula tocou. Decidi na hora que entrei na sala que aquilo era uma mera coincidência e me concentrei na minha aula favorita: química. Na segunda aula senti vontade de ir ao banheiro e pedi ao professor para sair, ele deixou eu ir, mas falou para não demorar.

Eu fui o mais rápido que pude ao banheiro porque não queria perder o tempo precioso da aula de química, e claro também não queria levar uma boa bronca. Você deve estar se perguntando porque diabos estou narrando minha ida ao banheiro, pois bem vou explicar. Lembram daquele homem fazendo seu show estranho na rua, que reencontrei na minha escola, pois então imagine o susto que levei quando encontrei ele dentro do banheiro olhando diretamente para mim.

Para mim já bastava, com certeza esse cara estava me seguindo, só tinha essa possibilidade. Era praticamente impossível encontrar uma pessoa três vezes seguidas em locais diferentes e em pouco tempo. Mas as coisas só começaram a piorar depois que o tal homem começou a falar.

— Olá Henrique meu nome é Dream.

— O que você quer?

— Eu tenho te observado.

— Isso explica porque te encontrei três vezes hoje. Mas não explica o motivo dessa perseguição.

— Ora, isso eu posso explicar.

— Então comece porque não tenho muito tempo.

— Eu venho da terra dos sonhos, e vim com a missão de realizar todos os seus sonhos.

Nessa hora comecei a dar risada, porque aquilo era muito maluco, provavelmente esse cara devia estar drogado ou bêbado. Porém, minha risada e cara de deboche não surtiu efeito algum porque o cara ficou com a mesma expressão de alegria no rosto.

— Você pode não acreditar Henrique, mas é a mais pura verdade.

— A claro que é. Só que quero uma prova.

Decidi entrar naquele jogo só para ver onde isso iria parar.

— Eu sei o que mais deseja. Você quer uma fortuna para comprar tudo que quiser, e mesmo assim continuar rico, eu sei que quer poder controlar as horas para não perder tempo, e sei que quer a maior coleção de histórias em quadrinhos, jogos e videogames da história.

Nesse momento fiquei sem palavras, pois tudo aquilo era verdade, mas não tinha como ele saber, eu nunca tinha contado nada daquilo para ninguém, e muito menos tinha anotado no meu diário. Então será que ele falava a verdade? Não, era impossível.

— Apenas acredite Henrique e será o homem mais feliz do mundo.

— Ok.  bom, então vai lá vossa criatura mágica realize meus sonhos.

— Muito bem Henrique. Tudo que precisa fazer é atravessar a porta e será feliz.

Eu já não sabia mais o que fazer, então só fiz o que ele pedia e atravessei a porta, pelo menos era a porta para o lado de fora, eu poderia correr e chamar ajuda. Eu caminhei até a porta, abri e a atravessei.

Eu só me lembro de ver uma luz forte que me fez fechar os olhos. Quando os abri novamente não estava mais na escola, eu tinha ido parar na minha cama, ou talvez nunca tivesse saído dela, naquele momento pensei “Ah meu Deus foi só um sonhoPorém, esse pensamento durou pouco tempo, pois uma mulher que eu nunca tinha visto na minha vida entrou com uma bandeja com meu prato favorito: panquecas com chocolate, e café com leite.

Ela me cumprimentou, deixou a bandeja e foi embora, achei aquilo muito estranho, então decidi deixar a comida na cama e investigar, no momento que abri a porta e olhei para minha casa e percebi que estava três ou até quatro vezes maior que antes. Tinha uma decoração minuciosa e grandes corredores, cocei os olhos pensando ser uma ilusão, mas tudo continuou lá.

Eu procurei minha mãe pelo que me pareceram horas mas não a encontrei, na verdade, não encontrei ninguém que conhecia, na casa só tinha mulheres e homens trabalhando.

Continuei a procurar até que encontrei uma porta que dizia “Zona do Paraíso”. Eu abri a porta e encontrei diversos jogos, videogames e histórias em quadrinhos. Aquele quarto, aquela casa, o tempo que demorava passar, mas não passava tudo isso eram os meus sonhos. O homem estranho falava a verdade, eu finalmente tinha tudo que sempre quis.

Comecei a explorar o paraíso por diversas horas, que, na verdade não passaram de alguns minutos, li muitas HQS e joguei alguns jogos, até que lembrei da escola, hoje provavelmente era quinta-feira e tinha aula. Eu precisava contar aquilo pros meus amigos, saí do quarto tomei o café da manhã e me preparei para ir para escola.

No caminho para a escola eu não conseguia parar de sorrir, o que assustou algumas pessoas, desculpa aí pessoal, mas vão ter que me aturar. Quando finalmente cheguei na escola eles já tinham aberto o portão, fui logo procurar o Yago, o meu melhor amigo. Ele estava na porta da nossa sala, eu fui até lá para cumprimentá-lo, mas ele reagiu indiferente comigo, como se não me conhece-se. Tentei explicar quem eu era e o que tinha acontecido, mas não adiantou nada.

Será que isso era um efeito colateral? Bom, eu precisava saber, por isso fui procurar todas as pessoas que eu conhecia, porém, foi uma perda de tempo, ninguém me reconheceu. Eu saí da escola para tentar pensar um pouco, mas tudo que conseguia argumentar era que aconteceu um erro na hora da mágica e por isso ninguém se lembrava de mim.

Deixei a escola e fui procurar o homem estranho, procurei por vários pontos da cidade, até bati em algumas portas para perguntar, mas sem sucesso ele não estava em lugar nenhum, eu voltei para o primeiro lugar que tinha visto ele, na esperança de encontrá-lo, porém quando cheguei lá não tinha ninguém, não aguentei e desabei, cai de joelhos e comecei a chorar.

As pessoas passavam e só comentavam o meu choro, ninguém me ajudava, claro como poderiam fazer isso, mas pelo menos se tentassem eu me sentiria melhor. Após muito tempo de choro e arrependimento, um homem parou para me ajudar. Ele estendeu a mão e me ajudou a levantar, eu já ia agradecendo quando vi seu rosto, era o homem dos sonhos não consegui me controlar e o abracei de felicidade.

Eu pedi sua ajuda, expliquei que tinha acontecido alguma coisa de errado, falei que ninguém se lembrava de mim e que ele precisava consertar as coisas, mas tudo que ele disse foi que era isso que acontecia, para realizar os sonhos era preciso apagar a nossa antiga vida, eu não podia acreditar naquilo, tinha que ter um jeito uma solução por mais ruim que fosse, eu precisava que todos se lembrassem de mim.

A única ideia que tive foi que ele precisava desfazer aquilo tudo, precisava que tudo voltasse ao normal, por mais chato que fosse eu tinha que voltar. De primeira ele não aceitou, mas consegui convencê-lo. Ele pediu para atravessar a porta de uma casa, eu fiz isso e vi a mesma luz branca. Quando abri os olhos estavam novamente na minha cama, abri a porta torcendo para tudo estar de volta ao normal e para minha sorte estava. Corri até a cozinha, abracei minha mãe e falei o quanto eu a amava, depois eu fui até a escola e cumprimentei todos e falei que os amava.

Bem essa foi a minha história, estranha e assustadora, mas eu agradeço que tenha acontecido, pois até hoje eu levo uma lição que aprendi: não vale a pena realizar os nossos sonhos, e deixar a família e as pessoas que amamos para trás, só é gratificante se tivermos alguém com quem compartilhar a felicidade.